Já a algum tempo me preocupo com assuntos relacionados ao bem estar social, a igualdade entre os homens, uma vida pautada na sustentabilidade ambiental, etc, ou seja, uma vida onde o pensamento criticamente elaborado se faça presente para o desenvolvimento do homem. Pois bem, em minha última viagem (não que viaje muito) pude perceber que a solidariedade ainda se mantém comum para alguns, é exatamente sobre esse sentimento que refletirei hoje.
Em dias de competitividade cada vez mais elaborada e mais global, é no mínimo muito estranho pensar em solidariedade. A competição transforma a maneira que nos relacionarmos com o mundo. Novas técnicas de produção, comunicação e dissiminação da informação baseadas na lucratividade a cada dia menos humanizada, impedem o racíocinio crítico e o aflorar de sentimentos e sensações caracteríticos da espécie humana. É cada vez mais difícil imaginar um ato de solidariedade dentro dos grandes centros urbanos, mesmo em países tidos como desenvolvidos. Atos que por vezes tomamos como de boa educação e queriamos que fossem comuns ao nosso dia-a-dia, como por exemplo, o fato de um trânsito digno e civilizado em países ditos de primeiro mundo, é apenas um reflexo da cultura local. O fato de sermos solidários no trânsito (ao paramos o carro na faixa para que um pedreste possa atravessar, por exemplo), trás consigo a essência da solidariedade em seu estado puro? Será esse ato pensado? Pode se encarar esse ato como solidário? Ao levantar questionamentos busco perceber a racionalidade e a intencionalidade do ato. É preciso lembrar que estamos cada vez mais automatizados e mecanizados. É preciso tomar consciência do que se faz, principalmente na Era da Informação.
A comunicação é feita por variados canais e com mais velocidade, confundindo e impedindo o racíocinio crítico. Símbolos mercadologicos são vínculados a sensações e sentimentos. A partir dai, há a transferência da realização das necessidades instintivas humanas para os símbolos mercadologicos. O homem acaba por se realizar quando compra um bem ou serviço que realize ideologicamente sua necessidade de sentir determinada emoção. Essas emoções são estimuladas pelo mercado, tais como o amor, a competitividade, o empreededorismo entre outras. Seguindo uma lógica mercalógica, não lenvando em conta a cultura local ou um pensamento divergente, ou seja, é um pensamento único e insuperável. O que impressiona, pois como disse Kant em palavras mais glamurosas, "o conhecimento é um processo infinito". Como ficamos cegos a verdade flagrante? Como aceitamos um pensamento único e finito se somos um parte do processo infinito de evolução da própria Vida? A existência dessas perguntas, já demonstra que a doutrina sistemática globalitária do pensamento único, pode ser superada. Pois o homem é o agente criador e transformador do conhecimento, ou seja, parte do próprio conhecimento.
Como aminal, o homem carrega consigo uma gama de instintos. Não quero dizer com isso que ele seja em parte irracional. O ser humano tem a capacidade de racionalizar e superar seus institntos. Para superá-los, devemos em primeiro lugar tomar consciência de sua existência. Quando compreendermos e enxergarmos cada instinto humano, poderemos vislumbar nossa real capacidade, ou melhor, toda nossa potêncialidade. Criando mecânismos para burlar as regras naturais, a qual todos os animais estão submetidos.
Para isso é necessário estimular o pensamento, abrir mão da escravidão mental, quebrar os grilhões do preconceito do novo ou diferente. Assim se inverteria a lógica estigmatizada do medo em nossa realidade, implantada pelo coorporativismo e seu pensamento positivista. A "solidariedade positivista" em nada se parece com a "solidariedade instinto" de nossa espécie. A última tem por necessidade a sobrevivência. Em nossa realidade praticamos atos solidários vazios, sem compreender o real sentido de solidariedade. Somos solidários por interesses que não a sobrevivência, sem pensarmos na necessária função da solidariedade. Ser solidário é ser consciente de sua real condição e posição no espaço e no tempo.