sexta-feira, 26 de junho de 2009

Amigos loucos e sérios...

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Louco que senta e espera a chegada da lua cheia.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade palermice, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Esse texto dedico a todos os meus verdadeiros amigos. E agradeço a meu mestre Oscar Wilde por iluminar minha vida mais uma vez.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Um dia bom ou um dia qualquer.

Hoje ando e fumo um cigarro comum,
um desses comuns cigarros de palha,
mesmo assim me sinto entorpecido,
poder ser a fumaça da Av. Amazonas
e todos os seus milhares de carros por segundo.

Esse é meu mundo, meu mais novo mundo.
Já tive outros é verdade,
mas todos tão diferentes,
todos dentro da mesma cidade.

Hoje é diferente de ontem,
meu peito e minha mente são um só,
sou eu, sou eu novamente.
Um eu diferente e ainda solitário,
sem meu habitual feitio deprimente.

Hoje não vi meu lado enérgico,
em mim não existe rebeldia.
Hoje tudo é poético,
tudo é alegria,
mesmo o corriqueiro sempre tão patético:
as ruas, os carros, as pessoas, cada esquina,
hoje tudo é poesia.

Hilton Milanez.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Filosofia (Noel Rosa).

O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.

Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.

Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Solidariedade e a realidade...

Já a algum tempo me preocupo com assuntos relacionados ao bem estar social, a igualdade entre os homens, uma vida pautada na sustentabilidade ambiental, etc, ou seja, uma vida onde o pensamento criticamente elaborado se faça presente para o desenvolvimento do homem. Pois bem, em minha última viagem (não que viaje muito) pude perceber que a solidariedade ainda se mantém comum para alguns, é exatamente sobre esse sentimento que refletirei hoje.
Em dias de competitividade cada vez mais elaborada e mais global, é no mínimo muito estranho pensar em solidariedade. A competição transforma a maneira que nos relacionarmos com o mundo. Novas técnicas de produção, comunicação e dissiminação da informação baseadas na lucratividade a cada dia menos humanizada, impedem o racíocinio crítico e o aflorar de sentimentos e sensações caracteríticos da espécie humana. É cada vez mais difícil imaginar um ato de solidariedade dentro dos grandes centros urbanos, mesmo em países tidos como desenvolvidos. Atos que por vezes tomamos como de boa educação e queriamos que fossem comuns ao nosso dia-a-dia, como por exemplo, o fato de um trânsito digno e civilizado em países ditos de primeiro mundo, é apenas um reflexo da cultura local. O fato de sermos solidários no trânsito (ao paramos o carro na faixa para que um pedreste possa atravessar, por exemplo), trás consigo a essência da solidariedade em seu estado puro? Será esse ato pensado? Pode se encarar esse ato como solidário? Ao levantar questionamentos busco perceber a racionalidade e a intencionalidade do ato. É preciso lembrar que estamos cada vez mais automatizados e mecanizados. É preciso tomar consciência do que se faz, principalmente na Era da Informação.
A comunicação é feita por variados canais e com mais velocidade, confundindo e impedindo o racíocinio crítico. Símbolos mercadologicos são vínculados a sensações e sentimentos. A partir dai, há a transferência da realização das necessidades instintivas humanas para os símbolos mercadologicos. O homem acaba por se realizar quando compra um bem ou serviço que realize ideologicamente sua necessidade de sentir determinada emoção. Essas emoções são estimuladas pelo mercado, tais como o amor, a competitividade, o empreededorismo entre outras. Seguindo uma lógica mercalógica, não lenvando em conta a cultura local ou um pensamento divergente, ou seja, é um pensamento único e insuperável. O que impressiona, pois como disse Kant em palavras mais glamurosas, "o conhecimento é um processo infinito". Como ficamos cegos a verdade flagrante? Como aceitamos um pensamento único e finito se somos um parte do processo infinito de evolução da própria Vida? A existência dessas perguntas, já demonstra que a doutrina sistemática globalitária do pensamento único, pode ser superada. Pois o homem é o agente criador e transformador do conhecimento, ou seja, parte do próprio conhecimento.
Como aminal, o homem carrega consigo uma gama de instintos. Não quero dizer com isso que ele seja em parte irracional. O ser humano tem a capacidade de racionalizar e superar seus institntos. Para superá-los, devemos em primeiro lugar tomar consciência de sua existência. Quando compreendermos e enxergarmos cada instinto humano, poderemos vislumbar nossa real capacidade, ou melhor, toda nossa potêncialidade. Criando mecânismos para burlar as regras naturais, a qual todos os animais estão submetidos.
Para isso é necessário estimular o pensamento, abrir mão da escravidão mental, quebrar os grilhões do preconceito do novo ou diferente. Assim se inverteria a lógica estigmatizada do medo em nossa realidade, implantada pelo coorporativismo e seu pensamento positivista. A "solidariedade positivista" em nada se parece com a "solidariedade instinto" de nossa espécie. A última tem por necessidade a sobrevivência. Em nossa realidade praticamos atos solidários vazios, sem compreender o real sentido de solidariedade. Somos solidários por interesses que não a sobrevivência, sem pensarmos na necessária função da solidariedade. Ser solidário é ser consciente de sua real condição e posição no espaço e no tempo.

Comentários...

Gostaria de agradecer a todos os que acompanham o blog (mesmo aqueles que são obrigados por mim), tenho certeza que estou crescendo e amadurecendo através de vocês.
Muito Obrigado!!!


Depois de alguns dias sem coragem para o exercício da escrita, ou melhor, sem a inspiração necessária, alguns acontecimentos mudaram toda essa realidade, devolvendo o tesão para mais um texto reflexivo. Ufa!!! Já estava com medo de não ter capacidade de escrever mais nada.

Definindo a palavra

Solidariedade....sf. 1. Laço ou vínculo recíproco de pessoas ou coisas independentes. 2. Apoio a causa, princípio, etc.., de outrem. 3. Sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses dum grupo social, duma nação, ou da humanidade.

Definição lexical do dicionário Aurélio de língua portuguesa.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O meu futuro...

Ao pensar no que sou, onde me encontro inserido, me perco em um labirinto maior ainda. Não procuro uma resposta pronta e acabada, mas sim uma forma de manter meu pensamento o mais lúcido possível. Ao situar-me brasileiro, universitário e desempregado, não encontro uma perspectiva de futuro, pois não me enquadro em nenhuma alternativa possível e sustentável de vida futura. Não uma vida futura pós-morte. Não penso nisso, ou se penso, não vejo verdade nas crenças que conheço, pois nenhuma trouxe grandes avanços para o desenvolvimento humano. Pior que isso, sempre causaram grandes danos as sociedades, retirando o verdadeiro significado da palavra humanidade, o sentido de espécie, a unicidade entre os Homens. Para não atalhar o desenvolvimento dessa reflexão com clareza e lucidez (o desespero sobre meu futuro e a falta de possibilidades de realização humana dentro de nossa realidade), deixarei para outra hora o aprofundamento reflexivo necessário para questão da religião, por se tratar de um questionamento tão complexo. Penso que minha frustração seja um reflexo de uma mente que cultiva a indagação como a priori, mantendo a distância um plano de vida baseado em perspectivas globalitaristas e perversas. Minha mente pretende algo mais profundo, algo mais humano. Não consigo entender uma vida vazia sem questionamentos sobre a atual condição de nossa realidade e suas causas históricas. Não aceito mais carregar uma mascarra ideológica, onde meus desejos são valorizados se baseados em uma moral burguesa e consumista. Essa mascarra já pesa demais, é falsa e não condiz com minha realidade. Meus projetos de vidas independem da capacidade de acumular objetos e coisas desnecessárias e fúteis. Quero acumular conhecimento, depois transmiti-los perpetuando e ampliando a capacidade do homem de compreender o mundo e principalmente a si mesmo.