quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Filosofia (Noel Rosa).

O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.

Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.

Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Solidariedade e a realidade...

Já a algum tempo me preocupo com assuntos relacionados ao bem estar social, a igualdade entre os homens, uma vida pautada na sustentabilidade ambiental, etc, ou seja, uma vida onde o pensamento criticamente elaborado se faça presente para o desenvolvimento do homem. Pois bem, em minha última viagem (não que viaje muito) pude perceber que a solidariedade ainda se mantém comum para alguns, é exatamente sobre esse sentimento que refletirei hoje.
Em dias de competitividade cada vez mais elaborada e mais global, é no mínimo muito estranho pensar em solidariedade. A competição transforma a maneira que nos relacionarmos com o mundo. Novas técnicas de produção, comunicação e dissiminação da informação baseadas na lucratividade a cada dia menos humanizada, impedem o racíocinio crítico e o aflorar de sentimentos e sensações caracteríticos da espécie humana. É cada vez mais difícil imaginar um ato de solidariedade dentro dos grandes centros urbanos, mesmo em países tidos como desenvolvidos. Atos que por vezes tomamos como de boa educação e queriamos que fossem comuns ao nosso dia-a-dia, como por exemplo, o fato de um trânsito digno e civilizado em países ditos de primeiro mundo, é apenas um reflexo da cultura local. O fato de sermos solidários no trânsito (ao paramos o carro na faixa para que um pedreste possa atravessar, por exemplo), trás consigo a essência da solidariedade em seu estado puro? Será esse ato pensado? Pode se encarar esse ato como solidário? Ao levantar questionamentos busco perceber a racionalidade e a intencionalidade do ato. É preciso lembrar que estamos cada vez mais automatizados e mecanizados. É preciso tomar consciência do que se faz, principalmente na Era da Informação.
A comunicação é feita por variados canais e com mais velocidade, confundindo e impedindo o racíocinio crítico. Símbolos mercadologicos são vínculados a sensações e sentimentos. A partir dai, há a transferência da realização das necessidades instintivas humanas para os símbolos mercadologicos. O homem acaba por se realizar quando compra um bem ou serviço que realize ideologicamente sua necessidade de sentir determinada emoção. Essas emoções são estimuladas pelo mercado, tais como o amor, a competitividade, o empreededorismo entre outras. Seguindo uma lógica mercalógica, não lenvando em conta a cultura local ou um pensamento divergente, ou seja, é um pensamento único e insuperável. O que impressiona, pois como disse Kant em palavras mais glamurosas, "o conhecimento é um processo infinito". Como ficamos cegos a verdade flagrante? Como aceitamos um pensamento único e finito se somos um parte do processo infinito de evolução da própria Vida? A existência dessas perguntas, já demonstra que a doutrina sistemática globalitária do pensamento único, pode ser superada. Pois o homem é o agente criador e transformador do conhecimento, ou seja, parte do próprio conhecimento.
Como aminal, o homem carrega consigo uma gama de instintos. Não quero dizer com isso que ele seja em parte irracional. O ser humano tem a capacidade de racionalizar e superar seus institntos. Para superá-los, devemos em primeiro lugar tomar consciência de sua existência. Quando compreendermos e enxergarmos cada instinto humano, poderemos vislumbar nossa real capacidade, ou melhor, toda nossa potêncialidade. Criando mecânismos para burlar as regras naturais, a qual todos os animais estão submetidos.
Para isso é necessário estimular o pensamento, abrir mão da escravidão mental, quebrar os grilhões do preconceito do novo ou diferente. Assim se inverteria a lógica estigmatizada do medo em nossa realidade, implantada pelo coorporativismo e seu pensamento positivista. A "solidariedade positivista" em nada se parece com a "solidariedade instinto" de nossa espécie. A última tem por necessidade a sobrevivência. Em nossa realidade praticamos atos solidários vazios, sem compreender o real sentido de solidariedade. Somos solidários por interesses que não a sobrevivência, sem pensarmos na necessária função da solidariedade. Ser solidário é ser consciente de sua real condição e posição no espaço e no tempo.

Comentários...

Gostaria de agradecer a todos os que acompanham o blog (mesmo aqueles que são obrigados por mim), tenho certeza que estou crescendo e amadurecendo através de vocês.
Muito Obrigado!!!


Depois de alguns dias sem coragem para o exercício da escrita, ou melhor, sem a inspiração necessária, alguns acontecimentos mudaram toda essa realidade, devolvendo o tesão para mais um texto reflexivo. Ufa!!! Já estava com medo de não ter capacidade de escrever mais nada.

Definindo a palavra

Solidariedade....sf. 1. Laço ou vínculo recíproco de pessoas ou coisas independentes. 2. Apoio a causa, princípio, etc.., de outrem. 3. Sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses dum grupo social, duma nação, ou da humanidade.

Definição lexical do dicionário Aurélio de língua portuguesa.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O meu futuro...

Ao pensar no que sou, onde me encontro inserido, me perco em um labirinto maior ainda. Não procuro uma resposta pronta e acabada, mas sim uma forma de manter meu pensamento o mais lúcido possível. Ao situar-me brasileiro, universitário e desempregado, não encontro uma perspectiva de futuro, pois não me enquadro em nenhuma alternativa possível e sustentável de vida futura. Não uma vida futura pós-morte. Não penso nisso, ou se penso, não vejo verdade nas crenças que conheço, pois nenhuma trouxe grandes avanços para o desenvolvimento humano. Pior que isso, sempre causaram grandes danos as sociedades, retirando o verdadeiro significado da palavra humanidade, o sentido de espécie, a unicidade entre os Homens. Para não atalhar o desenvolvimento dessa reflexão com clareza e lucidez (o desespero sobre meu futuro e a falta de possibilidades de realização humana dentro de nossa realidade), deixarei para outra hora o aprofundamento reflexivo necessário para questão da religião, por se tratar de um questionamento tão complexo. Penso que minha frustração seja um reflexo de uma mente que cultiva a indagação como a priori, mantendo a distância um plano de vida baseado em perspectivas globalitaristas e perversas. Minha mente pretende algo mais profundo, algo mais humano. Não consigo entender uma vida vazia sem questionamentos sobre a atual condição de nossa realidade e suas causas históricas. Não aceito mais carregar uma mascarra ideológica, onde meus desejos são valorizados se baseados em uma moral burguesa e consumista. Essa mascarra já pesa demais, é falsa e não condiz com minha realidade. Meus projetos de vidas independem da capacidade de acumular objetos e coisas desnecessárias e fúteis. Quero acumular conhecimento, depois transmiti-los perpetuando e ampliando a capacidade do homem de compreender o mundo e principalmente a si mesmo.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Reflexões sobre a Liberdade.

Parei para refletir na praça sobre a insanidade de nossa sociedade. Em poucos minutos pude perceber que na praça pairava um ar de futilidade, havia também o medo. Um medo devastador disfarçado de tranquilidade. Comecei a olhar ao redor e o medo ficou ainda maior. Esse medo inquietante e até certo ponto flagrante nas faces dos distraidos transeuntes, era visível e trazia a dor.
A dor, sintoma da maldita rotina sem amor de suas vidas imundas e gananciosas, obiscurecidas de ódio e terror.
No que pensam? Como aprendiz da arte filosófica que sou, me indaguei. Não obtive resposta. Quando perguntei não queria saber sobre seus projetos e expectativas de vida, baseados no consumo e no sucesso financeiro proporcionando a tão desejada realização profissional, me referi a totalidade, a infinitude do ato, pensar. O que penso? Foi minha próxima pergunta, para quem sabe numa tentativa mesmo que frustada tentasse me entender. Pensava na LIBERDADE. Todos os dias, todos os momentos, em todas suas possíveis formas e formatos.
Liberdade, palavra forte e pura, vida. Quantos já morreram em seu nome? E quantos morrerão?
Liberdade era o nome da praça. Aliás é única liberdade nas cidades de hoje, um nome, que para a maioria das pessoas perdeu sua simbológia, ou melhor, sua filosofia. Praça que hoje estava sem graça, mas colorida. Liberdade é felicidade. E se a felicidade só é plena quando compartilhada, a liberdade só é compreendida através do isolamento.